Escolha fina de léxico: ressentimento e indignação
- Luciana Molina

- 1 de jan.
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Há no debate público brasileiro um vício e um automatismo de chamar tudo de ressentimento, o que não se fundamenta nem no dicionário e muito menos em Nietzsche ou Freud.
É um caso exemplar de ideologia produzida por escolha lexical. Afinal, ao denominar qualquer crítica como “ressentimento”, o que se produz é deslegitimação da justeza e da justiça da reivindicação.
Ressentimento eu talvez tenha pelo meu ex-namorado. O sentimento de revolta contra desigualdades sociais deve antes ser definido como "indignação".
É mesmo sintomático que, num país com desigualdades estruturais como o Brasil, estejamos ouvindo e lendo mais vezes a palavra "ressentimento" que a palavra "indignação".
Talvez esse seja o modo ardiloso pelo qual as classes dominantes empreenderam a conservação de seu próprio domínio.



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