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Blog


Experimento mental sobre editoração no Brasil
Imagine o seguinte caso hipotético. 2026. Kafka, Proust e Beckett entram em uma editora brasileira. Querem publicar seu primeiro livro. Quais as chances de sucesso?

Luciana Molina
há 6 dias1 min de leitura


Um breve estudo de caso do ensaio de entretenimento: "A arte do ensaio impessoal", de Zadie Smith (publicado no Brasil pela 451)
Esse ensaio da Zadie Smith até que não é de todo ruim, mas vamos analisá-lo com mais detalhe. Antes de mais nada, seria importante perguntar: que aspectos apresentam qualidade? Será que não são justamente aqueles que a tornam mensageira do óbvio? Fiz uma lista de checagem do ensaio de entretenimento: ✅ autora conhecida e com capital simbólico; ✅ fluência jornalística / jornalismo cultural “sofisticado”; ✅ nenhuma proposição nova sobre o mundo / nenhuma contribuição epistemoló

Luciana Molina
3 de fev.2 min de leitura


Quem tem medo de…?
Quem tem medo de Virginia Woolf? Quem tem medo da crítica ao cânone? Quem tem medo de Nego Bispo? Quem tem medo da descolonização? Quem tem medo das calças saruel? Quem tem medo de… insira alguma coisa aleatória. Quem tem medo desses títulos clichês que frequentemente não correspondem ao conteúdo real dos textos? Eu . Eu morro de medo disso.

Luciana Molina
2 de fev.1 min de leitura


Pessimismo na Teoria Crítica
Há essa ideia de que Adorno era pessimista. Os anos subsequentes revelam que ele só foi pessimista conforme sua vista alcançava. O que se seguiu nas décadas posteriores revela que ele não foi pessimista o suficiente. Não há nenhum motivo para acharmos que hoje é mais fácil pensar e fazer arte do que era na década de 1960. Fake News , fascismo acoplado às novas mídias e até mesmo pesquisas que associam a cultura de massa à queda na cognição e à ampliação de problemas psi

Luciana Molina
2 de fev.1 min de leitura


Para ler Ulysses
É necessário ter de preferência: boas habilidades de interpretação de texto, noções de etimologia e línguas estrangeiras, visão (ao menos panorâmica) de história da arte e da literatura, senso de humor desenvolvido, conhecimentos de filosofia escolástica, leitura prévia da Odisseia, noções da geografia de Dublin... Mas algo que não pode faltar de jeito nenhum é uma boa poltrona – a bsolutamente fundamental para ler Ulysses .

Luciana Molina
30 de jan.1 min de leitura


Destinatário não encontrado
Desta vez as cartas de amor não são ridículas. As cartas de amor nunca chegam a seu destino. Você declama, digamos, o Soneto 116, de Shakespeare. Mas seu amor não percebe que você declama especificamente para ela, e não simplesmente para a horda de curiosos nas redes. Ela supõe que você está a fazer apenas uma performance pública – e não se declarando. O poema falha em se expressar o amor falha em se expressar também o eu e a linguagem falham em se expressar. A única pessoa

Luciana Molina
29 de jan.1 min de leitura


O ensaio de entretenimento como pensamento mágico
Quando, há alguns meses, escrevi “ O ensaísmo de entretenimento ”, já sabia de antemão que seria impossível esgotar a análise das atuais formas de produção textual de entretenimento. A semana que passou foi um laboratório para analisar com mais detalhe outro aspecto desse tipo de produção textual: a incapacidade de responder a uma crítica recebida. O ensaio de entretenimento ignora a precedência e o conteúdo efetivo da crítica recebida. Em vez de enfrentar os argument

Luciana Molina
27 de jan.1 min de leitura


Breve comentário sobre incomensurabilidade ontológica
Quanto à obra de Eduardo Viveiros de Castro, que tantos nesse debate acham que poderia ser mediadora do impasse teórico: o próprio Viveiros de Castro sempre foi muito crítico do marxismo e, para qualquer leitor com mais lastro, é evidente que ele não demonstra conhecimento profundo dessa tradição (talvez porque simplesmente não ache necessário conhecê-la para criticá-la). As críticas são superficiais e genéricas, para dizer o mínimo. Na questão do Antropoceno mesmo, ele se co

Luciana Molina
26 de jan.3 min de leitura


Das ironias
Escrevo ironias por gosto e vício. Amo gente irônica. Meus melhores amigos são irônicos. Uma das minhas maiores escolas de escrita foram os poemas do modernismo brasileiro – encharcados de ironia. Gosto da ironia de Oscar Wilde e Machado de Assis. Mas cada vez menos gente – inclusive dentre aquelas com formação universitária e pós-graduação – entende ironia, mesmo quando ela é sinalizada com escolha lexical e até, quem diria!, emoji. A maioria provavelmente teria dificuldade

Luciana Molina
24 de jan.2 min de leitura


O humor do poeta
Mário de Andrade emposta a voz, dá pinta de que lá vem. Com isso, é possível se preparar para o soco, amortecê-lo, inclusive se agachar. Em Bandeira há algo de desarmante. Nunca estamos suficientemente preparados. E por isso ficamos sem saber o que nos atingiu.

Luciana Molina
9 de jan.1 min de leitura


Um dia, em Praga...
Fui a um evento para ouvir um espanhol – que contava histórias de quando convivia com Gabriel García Márquez. Seu nome, já não me lembro. O importante é que conheceu Gabriel Gárcia Márquez.

Luciana Molina
9 de jan.1 min de leitura


Escolha fina de léxico: ressentimento e indignação
Há no debate público brasileiro um vício e um automatismo de chamar tudo de ressentimento, o que não se fundamenta nem no dicionário e muito menos em Nietzsche ou Freud. É um caso exemplar de ideologia produzida por escolha lexical. Afinal, ao denominar qualquer crítica como “ressentimento”, o que se produz é deslegitimação da justeza e da justiça da reivindicação. Ressentimento eu talvez tenha pelo meu ex-namorado. O sentimento de revolta contra desigualdades sociais deve an

Luciana Molina
1 de jan.1 min de leitura


Lista de livros
Quando era adolescente, costumava fazer uma lista de livros lidos durante o ano. Não sou mais adolescente.

Luciana Molina
1 de jan.1 min de leitura


Notas de leituras: Bernhard e Murnane
Curtas, porém enormes, leituras de 2025: 1. Mestres antigos , do austríaco Thomas Bernhard. Quando falamos em autores favoritos, eu entendo que estamos elencando aqueles cujas obsessões nos pegam de jeito. Bernhard repete vários de seus estratagemas habituais nesse livro, inclusive no foco em um personagem com verborragia virulenta. Grandes autores demonstram as limitações dos manuais de estilo. Ele imagina um sujeito que metodicamente visita a mesma sala e o mesmo b

Luciana Molina
18 de dez. de 20252 min de leitura


O ensaísmo de entretenimento
Muitos se precipitam em denunciar o declínio da ficção nos tempos correntes. A produção de não ficção, no entanto, merece um escrutínio. Há um gênero de livros invadindo o mercado editorial brasileiro e, possivelmente, do mundo todo: o ensaísmo de entretenimento. Muito em breve, se bobear, vira categoria do Jabuti. Muito em breve, com fé na humanidade, as pessoas perceberão que existe diferença entre ensaísmo de pensamento e ensaísmo de entretenimento. Ou, talvez, a se julgar

Luciana Molina
18 de dez. de 202511 min de leitura


Contra a autonomia
Infelizmente, as pessoas tentam entender “autonomia da arte” a partir do boteco. Toda sorte de vulgarizações decorre disso. Não entendem autonomia, seja em Kant, Greenberg ou Adorno. No entanto, afirmam ser contra a autonomia. Isso diz muito mais, é claro, sobre a alergia da contemporaneidade a qualquer tipo de mediação densa, seja essa construção, fantasia ou ficcionalização. Também diz muito sobre as modas dos dias: autoficção, memorialística, literatura testemunhal, aut

Luciana Molina
18 de out. de 20251 min de leitura


Estilo de contistas
Um caso é o de Hemingway. Em seus textos sempre paira algo de perigoso. Um dos seus temas favoritos é a morte. E ele constrói uma tensão a partir da qual a morte, ou pelo menos um acidente, uma fatalidade, pode ocorrer até o fim do conto (e, não raro, ocorre mesmo). Apesar da contenção estilística, há uma proximidade ao id e à pulsão de morte em Hemingway. O que ele não se aventura em termos de estilo, ele o faz em paixões.

Luciana Molina
18 de out. de 20251 min de leitura


Sobre a psicanálise como chave interpretativa
Quando escrevo, estou sempre voltando às minhas preocupações mais prementes. Psicanálise selvagem ou não, a fixação de um poeta em metaforizar o sexo cunilíngua no mínimo parece dizer que ele dá um enorme valor a isso.

Luciana Molina
18 de out. de 20251 min de leitura
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