Pessimismo na Teoria Crítica
- Luciana Molina

- 2 de fev.
- 1 min de leitura
Atualizado: 4 de fev.
Há essa ideia de que Adorno era pessimista. Os anos subsequentes revelam que ele só foi pessimista conforme sua vista alcançava.
O que se seguiu nas décadas posteriores revela que ele não foi pessimista o suficiente.
Não há nenhum motivo para acharmos que hoje é mais fácil pensar e fazer arte do que era na década de 1960.
Fake News, fascismo acoplado às novas mídias e até mesmo pesquisas que associam a cultura de massa à queda na cognição e à ampliação de problemas psicológicos deveriam ser o suficiente para o benjaminiano mais inveterado retroceder no diagnóstico otimista.
O pensamento está desprotegido. A arte está desprotegida. A produção cultural está desprotegida. Não há lugares que os acolham.
Até mesmo quem se diz continuador da Teoria Crítica confunde conceito encantado (e, portanto, reificado) com pensamento.
Para a pessoa comum, o mais misterioso talvez seja como continuar a ter uma vida cultural e intelectualmente significativa sem ter que monetizar sua formação e produção mediante a lógica das plataformas.
Os atuais escritores que escapam à mediocrização formal são quase todos aqueles que construíram sua reputação e circulação em períodos anteriores aos últimos 15-20 anos.
Por vezes considero que o achatamento da universidade como lugar do pensamento é praticamente irreversível.
O que resta são pequenas ilhas de pensamento, em meio a um mar de mediocrização. E ninguém liga. Absolutamente ninguém liga.
O incêndio acontece e ninguém acende o alarme.



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