O ensaio de entretenimento como pensamento mágico
- Luciana Molina

- 27 de jan.
- 1 min de leitura
Atualizado: 28 de jan.

Quando, há alguns meses, escrevi “O ensaísmo de entretenimento”, já sabia de antemão que seria impossível esgotar a análise das atuais formas de produção textual de entretenimento.
A semana que passou foi um laboratório para analisar com mais detalhe outro aspecto desse tipo de produção textual: a incapacidade de responder a uma crítica recebida.
O ensaio de entretenimento ignora a precedência e o conteúdo efetivo da crítica recebida.
Em vez de enfrentar os argumentos colocados pelo texto inicial, isto é, mediante a demonstração de seus limites, seja desmontando os argumentos, apontando suas inconsistências ou até indicando os aspectos que não teriam sido plenamente resolvidos pelo texto precedente, o ensaio de entretenimento se satisfaz em repetir a ladainha já conhecida pela doutrina.
Trata-se de um funcionamento análogo ao do pensamento mágico, a partir do qual a própria repetição produz verdade e se autolegitima como conteúdo.
Repete-se, repete-se, repete-se mais uma vez – como se o mantra bastasse para garantir a verdade como autorrevelação.
A réplica dá lugar ao ritual de sacralização.



Comentários