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Ainda o papo do ressentimento?

Atualizado: 12 de mar.

Já comentei outrora que a pobreza vocabular (disfarçada de filosofema), a má-fé interpretativa e até mesmo a baixa imaginação argumentativa nos levam a uma superinflação da ideia de “ressentimento”.

 

No Brasil, quase não há ninguém “indignado”. Há muita gente “ressentida”. O fato de ser um país paupérrimo, com injustiças históricas, torna o quadro ainda mais curioso, pois há indícios de que quem acusa ressentimento é simplesmente o administrador do status quo.

 

Acusar o outro de “ressentimento” é uma operação interessante porque a pessoa sugere que o emissor está sendo levado indevidamente por sentimentos, mas ela própria não discute os argumentos e a visão de mundo do emissor de maneira racional. Em vez disso, psicologiza o emissor – sem ter qualquer legitimidade para fazê-lo.

 

É um tipo específico de psicanálise selvagem. A pessoa precisa mesmo ser muito astuta (e ela não é) para diagnosticar ressentimento alheio em três parágrafos. Se realmente tivesse bons argumentos, prefiro acreditar que ela teria os utilizado. Se usou a carta do ressentimento, possivelmente já sabe que tem desvantagem na arena da racionalidade.


Mas o pior mesmo é ver esse tipo de gente falar em nome da boa-fé. Se tivesse boa-fé, argumentaria. Não ficaria clinicando por aí.


Adivinhe só: talvez a pessoa esteja mesmo ressentida  – e isso não invalida seus argumentos. Mas um filósofo sabe disso, não é mesmo?


 
 
 

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